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O jornalista investigativo daria a vida por um furo?

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Com o objetivo de entender como é feita a cobertura de reportagens investigativas no Brasil após o surgimento da internet, essa série de entrevistas ouviu jornalistas investigativos dos mais variados veículos de comunicação do país. E como resultado deste trabalho, temas importantes foram abordados para melhor compreender a atividade investigativa e sobre como são usadas as técnicas de apurações entre os jornalistas que atuam ou passaram na área.

O presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Marcelo Rech, destacou que as redes sociais podem se tornar um fator de angústia. “Muitas vezes nós não divulgamos uma informação porque essa informação pode expor uma pessoa, família, vítima ou até mesmo uma empresa. Infelizmente, as redes sociais não têm nenhum compromisso ético, ela expõe sem cuidado ou critério.” Marcelo ainda afirmou que as redes sociais são terras sem lei.

Já o apresentador Guilherme Portanova ressaltou a importância do jornalismo investigativo, mas disse que cansou de trabalhar com o gênero em razão das implicações e dos riscos. “Depois que nasce filho, fica mais difícil você colocar a cara em investigação. O jornalismo investigativo, é aquele onde a gente consegue acessar informações e conteúdos que as pessoas em geral não têm acesso. Então, a gente vira um instrumento público desses dados”, finalizou.

Andreza Matais lembrou os trabalhos marcantes da carreira. A repórter investigou o enriquecimento do ex-ministro da casa Civil, Antônio Palocci. De acordo com a jornalista semanas antes de assumir o cargo mais importante do governo Dilma Rousseff, Palocci comprou um apartamento de luxo em São Paulo por R$ 6,6 milhões. Um ano antes, Palocci adquiriu um escritório na cidade por R$ 882 mil. Os dois imóveis foram comprados por uma empresa da qual ele possui 99,9% do capital.

Questionado sobre os trabalhos mais marcantes da carreira, o jornalista Leandro Fortes assegurou que foram muitos, mas destacou um, em especial.  “Houve muitos furos, mas não poderia esquecer-se de quando descobri que o coração do deputado Luís Eduardo Magalhães, que morreu de infarto, em 1997, foi arrancado do corpo e guardado no Hospital de Base, a mando do pai dele, o senador Antônio Carlos Magalhães, para que não fosse feito autópsia e se confirmasse a suspeita de overdose de cocaína. A pauta surgiu a partir de uma informação de um enfermeiro do hospital, dada a um amigo comum,” destaca.

Ricardo Kotscho, um dos mais respeitados jornalistas do país relatou que todo trabalho jornalístico é, por essência, investigativo no sentido de descobrir, apurar e organizar informações. Da mesma forma que existe investigação científica, policial, antropológica ou mineral. Kotscho diz que "jornalista tem que ter ética, ser honesto, nunca abrir mão dos seus princípios, qualquer que seja o cargo, função ou empresa em que trabalhe".

Eduardo Militão trabalha atualmente como jornalista independente para vários veículos. Ele afirmou que, assim, é mais trabalhoso. “Eu monto minhas pautas e, como não tenho chefes, tenho que deixar mais amarradas. É um duplo trabalho de convencimento porque se o contratante não aceitar minha pauta não tenho salário.” 

Além dos depoimentos dos jornalistas, a reportagem multimídia traz um breve relato sobre a morte de um dos jornalistas mais conhecidos do Brasil, Tim Lopes. Ele foi morto enquanto produzia uma reportagem investigativa sobre abuso sexual de menores e tráfico de drogas em um baile funk na favela da Vila Cruzeiro, no bairro da Penha, na capital Rio de Janeiro, para o Jornal Nacional em 2002.

Em relação aos casos de violência entre os profissionais da área, o Brasil é o segundo país da América Latina onde mais mata jornalistas.  O país ocupa o 2° lugar no ranking dos países mais perigosos da América Latina para a profissão, ficando atrás, apenas, do México. Os dados são da Organização de Repórteres Sem Fronteiras (RSF).

Os jornalistas Yago Sales e Juliana Cezar Nunes também revelam os bastidores de uma reportagem investigativa. "Colocar a apuração em primeiro lugar é ser jornalista investigativo”, afirmou Yago Sales.

Por Afonso Ferreira, Guilherme Melo e Rayla Alves

A reportagem multimídia traz um panorama de como são feitas as reportagens investigativas e como é o furo de notícia com a chegada da internet. 

REPORTAGEM

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Eduardo Militão, já conquistou prêmio de jornalismo investigativo. Atualmente jornalista trabalha de forma independente
O nome do profissional já esteve estampado no expediente de uma das maiores revistas políticas do Brasil, a ISTO É. 
Um dos nomes mais conhecidos da reportagem brasileira, Ricardo Kotscho, dá sua opinião sobre um assunto polêmico. Afinal todo jornalista é investigativo?
Ricardo Kotscho, começou na carreira ainda garoto, em 1964, e destacou-se rapidamente trabalhando nos principais veículos de comunicação do país.
De acordo com as entidades internacionais que atuam na defesa da liberdade de imprensa o Brasil está na lista dos países mais violentos contra jornalistas
Mesmo com o crescimento da liberdade de manifestar pensamento entre os jornalistas no Brasil, países está entre os que mais matam esses profissionais.
Leandro Fortes destaca pontos do jornalismo investigativo atuou boa parte da carreira como repórter especial, sempre vinculado a investigações e coberturas internacionais.
Acostumado a trabalhar na área de investigação, Fortes define jornalismo investigativo como um processo de decodificação do drama humano por meio do texto
Ainda na faculdade, o olhar investigativo de Yago Sales ajudou a prender um pastor evangélico que explorava e agredia internos em uma clínica para dependentes de drogas.
Trabalho investigativo durou 4 meses e mostra que as investigações de impacto não são exclusividade de jornalistas experientes
Jornalista fala de notícias que levaram à queda, grandes figuras políticas.
Andreza Matais é considerada uma das poucas jornalistas a atuar na área de investigação. 
Conhecido no jornalismo pela sua agilidade em matérias investigativas, Guilherme Portanova abandonou as investigações após sofrer um sequestro no exercício da profissão
Jornalistas investigativos ficaram eternizados na memoria dos brasileiros. Leia um breve perfil profissionais que morreram e deixaram seu legado. 
O jornalista Tim Lopes foi morto enquanto realizava uma reportagem sobre abuso sexual de menores e tráfico de drogas em um baile funk na favela da Vila Cruzeiro, no bairro da Penha, Rio de Janeiro. 
O repórter foi sequestrado, torturado e executado por traficantes liderados por Elias Pereira da Silva, o “Elias Maluco”. O crime chocou a população e foi encarado como um cerceamento à liberdade de imprensa. 
Juliana Cesar Nunes ainda na  universidade já se interessava por investigação. 
Vencedora do prêmio “Tim Lopes de Investigação” fala da paixão pelo jornalismo investigativo
Marcelo Rech atuou boa parte da carreira como repórter especial, sempre vinculado a investigações e coberturas internacionais.
 
Atualmente o jornalista é vice-presidente Editorial do Grupo RBS e presidente da Associação Nacional dos Jornais (ANJ)
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